Comecei a ficar nervosa porque ele não queria descer para o jantar, que ele mesmo tinha pedido, para não interromper o videogame com o amigo virtual. Aí, quando ele desceu as escadas correndo, pedindo para levar o lanche lá para cima, para o quarto, soltei o verbo! Calmamente, ele pegou minhas duas mãos, e, com a voz bem doce, falou:
- Mãe, mãe, tudo bem. Só queria levar o lanche para o quarto. Posso, por favor?
A atitude dele me desarmou na hora. Bem que a Bíblia fala que a palavra branda desvia o furor. Aí, mais calma, vi que não era um pedido tão desmedido. Não era o que eu queria, nem do jeito que eu faria, mas também não era o fim do mundo.
Tenho tido muitas lições nestes dias nesse sentido. Ele faz as coisas de maneira diferente do que eu faria, e, se não for prejudicar ninguém, porque não? Fico esquentando com coisas que não tem tanta importância no quadro geral.
Todos nós temos nossas idéias sobre o "jeito certo" de fazer as coisas. Mas moramos, trabalhamos, saímos com pessoas que tem outras maneiras de ser e fazer. É mais difícil quando é filho e sentimos que é nossa responsabilidade educar. Mas em todos os grupos temos alguma responsabilidade e expectativas de maneiras de cumpri-la.
O que meu filho me ensinou hoje é que é importante manter a calma, falar com brandura, e negociar para que ninguém saia prejudicado. É preciso focar no cerne da questão (no objetivo, na visão) ao invés de ficar brigando por picuinhas que talvez nunca se chegue a um consenso.
Também não devemos usar uma das minhas estratégias favoritas: ceder ou deixar para lá. Como os cogumelos, conflitos crescem no escuro. Uma hora vai estourar. O melhor é lidar o mais rápido possível para se chegar a uma resolução. Não pode haver perdão se não for trazido à luz o problema.
Então, obrigada, filho. Hoje você foi um líder servidor, tirando a toxicidade do ambiente e demonstrando inteligência emocional. Te amo.

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